A indústria de cosméticos comemora: o Brasil já é o 3º maior mercado consumidor de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos do mundo, ficando atrás apenas Estados Unidos e Japão. Segundos dados da ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal Perfumaria e Cosméticos), em 2010 o setor movimentou cerca de R$ 27,3 bilhões, acumulando um crescimento de 30.1%. Entre os fatores que contribuíram para esse crescimento nos últimos 15 anos, podemos destacar a utilização de tecnologia de ponta na fabricação e desenvolvimento de produtos, bem como os lançamentos constantes, atendendo ainda mais a necessidade do mercado, e o aumento da expectativa de vida.

Dentro desse cenário, é evidente que o maior grupo consumidor são as mulheres. Porém, o mercado voltado para o público masculino está em ascendência e apresentou, já em 2010, um faturamento de R$ 5 bilhões, ou seja, 18% do mercado. Isso é uma prova que o cenário está mudando vertiginosamente e que o homem não ocupa mais papel de figurante a frente do espelho.

A gama de produtos que o mercado oferece é grande, vai desde creme para barbear, creme corporal, loções, esfoliantes, xampus, condicionadores e até maquiagem. Segundo dados de uma pesquisa realizada pelo Ibope, para uma indústria internacional, entre os homens brasileiros, revelou que 91% usam perfume, 46%%, hidratante para o corpo e 44% usam produtos como creme de rosto.

O homem brasileiro gasta 25 minutos para se arrumar de manhã, quando sai à noite gasta 30 minutos. Isso demonstra que está interessado na aparência”, aponta Philippe Mottard, diretor da empresa de cosméticos.

Pioneira no mercado nacional de cremes anti-rugas, a Natura criou em 1988 seu primeiro produto, e desde então, identificando esse target, começou a desenvolver produtos para o público masculino. Com o lançamento da fragrância Kaiak em 1996, a Natura criou um item de sucesso, que é até hoje a fragrância masculina mais vendida no país.

O faixa etária de homens que mais consomem esses produtos está entre 20 e 34 anos, que é uma geração que acha mais aceitável, por exemplo, o uso de um creme para o rosto, o que já não é tão comum nos homens com mais de 40 anos.

Essa mudança foi gradativa. Por anos quem fazia o papel de inserir esses produtos na vida dos homens eram as mães, esposas, irmãs ou namoradas. Hoje eles não tem vergonha de falar que dividem o espelho com a mulher, e usam sim desses artifícios para melhorar a aparência.

Se por um lado existe aquele homem, que no máximo utiliza um desodorante, de outro vemos um perfil mais adepto a novidades, que está atento até ao último lançamento de base ou primer.

Um novo homem

Os metrossexuais são um exemplo desse nicho. Esse termo foi criado em 1994 pelo escritor inglês Mark Simpson, em um artigo publicado pelo jornal The Independent. A junção das palavras metrópole e sexual formam o termo. Ele estava detectando uma tendência na sociedade masculina, ou seja, os homens pós-modernos, muito ligados a aparência e que em meados da década de 1990 começavam a dar os primeiros passos.

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David Beckham: metrossexual assumido e Cristiano Ronaldo, também muito vaidoso

Vivemos, hoje a fase do homem tecnossexual ou “techomacho”, termo criado pelo americano Ricky Montalvo, que define um tipo de homem que acumula a mesma preocupação do metrossexual, porém com um senso estético mais apurado e em dia com todos os gadgets tecnológicos. Além disso, é um usuário assíduo de redes sociais.

Cabelos: a grande vaidade

Se Sansão valorizava sua cabeleira, o homem contemporâneo não é diferente. A preocupação com o cabelo, no caso dos homens, data dos primórdios. Nossos pais e avós já se embalaram pelos topetes do Elvis Presley ou James Jean, sempre bem moldados pela famosa brilhantina. David Bowie, a geração punk/rock também fez bom uso de suas madeixas.

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Elvis Presley: o rei do rock e seu famoso topete; James Dean: um ícone de beleza e estilo

A geração Y (que nasceu entre 1982 e 2005) se tornou objeto da indústria a partir de um movimento que sai do underground, das ruas, e cai no mainstream, nas revistas de moda e nas passarelas. Essa geração institucionalizou o corte como estilo, através de referências que vieram da música, dos campos de futebol, da tv ou cinema.

Ainda falando dessa geração, os homens Y, ou homens pós-modernos, estão muito mais aptos a mudanças, pois são pessoas que gostam de novidade e acompanham de uma forma muito mais visceral as transformações. Entre um descontentamento e outro, a ida ao salão sempre é um bom motivo, ou melhor: uma consequência.

São pessoas com maior potencial na história, porque seus membros estão muito mais integrados com as novas tecnologias e possuem maior expectativa sobre si, conforme define artigo publicado pela revista Fortune.

E sentindo esse crescimento pela demanda, a indústria logo respondeu com uma infinidade de produtos, que passa a ocupar cada vez mais o tempo do homem a frente do espelho e ganhar espaço nas prateleiras das perfumarias e farmácias.

As mulheres que se cuidem!

Fotos: reprodução