Ah, hiperhidrose. Tal tema é frequente no consultório e nas festas de final de ano. Vamos falar um pouco mais sobre o suor excessivo?

Primeiramente, deve-se deixar claro que trataremos do suor excessivo nas axilas, que se enquadra no diagnóstico de hiperhidrose focal primária. O primeiro passo para continuar nossa jornada neste tópico é entender que existem 2 formas de hiperhidrose: Primária (leia-se: Eu nasci assim) e secundária (leia-se: eu fiquei assim). Para efeito ilustrativo, considere a forma primária como uma pessoa que sempre transpirou e a secundária como os fogachos da menopausa. Entendido? Vamos continuar!

Existem 2 formas de hiperhidrose: Primária (leia-se: Eu nasci assim) e secundária (leia-se: eu fiquei assim)

Existem 2 formas de hiperhidrose: primária (leia-se: Eu nasci assim) e secundária (leia-se: eu fiquei assim)

É consenso da comunidade médica que o quadro primário tem inicio antes dos 25 anos, é relativamente simétrico e bilateral, ocorre mais de uma vez por semana e não ocorre durante o sono. Entretanto, não só de axilas vive o homem: O suor excessivo pode acometer outras regiões do corpo, como as mãos, pés e até a face. Dessa forma, é imprescindível que você, leitor esforçado, converse abertamente com seu médico. Nós estamos aqui para ajudá-lo, então conte a história toda durante as consultas. 

MINHAS AXILAS CHORAM MAIS QUE A ARGENTINA NA COPA

Dado o diagnóstico, como tratar?

A primeira opção é utilizar os famosos antiperspirantes. Aqui, vale um aviso: Nem todos os desodorantes são antiperspirantes e nem todos os antiperspirantes são desodorantes. Por isso, a indústria lança mão da combinação de substancias para criar produtos que atendam aos dois fins.

Nem todos os desodorantes são antiperspirantes e nem todos os antiperspirantes são desodorantes.

Nem todos os desodorantes são antiperspirantes e nem todos os antiperspirantes são desodorantes.

Comercialmente, há soluções interessantes como Rexona Clinical, Nivea Men Clinical Intense, Gillete Clinical e Dove Clinical. Tais antitranspirantes contêm substâncias que obstruem os ductos das glândulas sudoríparas, reduzindo a transpiração e, ainda, ativos que neutralizam o odor das axilas. O truque para o uso adequado destes produtos é o seguinte:

Aplicar a noite antes de dormir, quando a atividade das glândulas é muito menor. Ao acordar, a região deve limpa durante o banho para evitar irritação.

Na linha dos tópicos, outras duas substâncias utilizadas são o cloreto de alumínio e a metenamina (he he he). São, também, substâncias que após a aplicação, bloqueiam a saída do suor das glândulas sudoríparas e devem ser utilizados à noite, antes de dormir. Neste caso, seu dermatologista pode prescrever uma formula para manipulação ou indicar produtos prontos, como o Perspirex Roll-On ou a pomada Antihydral. Novamente, lembre-se de lavar as axilas pela manhã para evitar irritação.

AINDA ESTOU SUANDO MUITO

Caso ocorra falha no tratamento inicial, outras estratégias podem ser empregadas. Uma opção é o uso da toxina botulínica, inimiga das rugas faciais e, também, da hiperhidrose. A aplicação é rápida, geralmente indolor e o efeito é prolongado. Existem diferentes marcas de toxina botulínica e a duração do efeito é de 6 meses a 12 meses. A principal desvantagem é o preço, que varia conforme a quantidade utilizada.

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Há, também, a opção do uso dos medicamentos anticolinérgicos, que diminuem a sudorese. Embora promissores, os efeitos adversos levam até um terço dos pacientes a abandonar o tratamento e o uso contínuo é necessário para que o efeito seja mantido. Contudo, é uma opção que pode ser utilizada com segurança.

Por último, existe a famosa simpatectomia. Esta cirurgia é realizada por videotoracoscopia, então as cicatrizes são, na maioria das vezes, pequenas. Durante o procedimento, as fibras nervosas responsáveis pela inervação das glândulas axilares podem ser cortadas, cauterizadas ou grampeadas. É reservada para casos graves e refratários e pode vir acompanhada da hiperhidrose compensatória: Suor excessivo em outra região do corpo, geralmente nas costas ou peito.

A CIÊNCIA ESQUECEU DE MIM?

Não tema, caro leitor. Tendo em vista as implicações sociais e financeiras da hiperhidrose, muito é publicado sobre o tema atualmente. Para você ter uma noção, existem estudos com creme de toxina botulínica e lasers para o tratamento do excesso de suor. São opções muito promissoras, então novidades com certeza virão. O futuro é seco, galera.

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TL;DR

Suor excessivo tem tratamento. Seu dermatologista irá orientá-lo sobre qual a melhor opção entre as diversas opções existentes.


DE ONDE VOCÊ TIROU ESSAS INFORMAÇÕES?

Hornberger J, Grimes K, Naumann M, et al. Recognition, diagnosis, and treatment of primary focal hyperhidrosis. J Am Acad Dermatol 2004; 51:274

Pariser DM, Ballard A. Topical therapies in hyperhidrosis care. Dermatol Clin 2014; 32:485.

Heckmann M, Ceballos-Baumann AO, Plewig G, Hyperhidrosis Study Group. Botulinum toxin A for axillary hyperhidrosis (excessive sweating). N Engl J Med 2001; 344:488.

Mackenzie A, Burns C, Kavanagh G. Topical glycopyrrolate for axillary hyperhidrosis. Br J Dermatol 2013; 169:483.

Lueangarun S, Sermsilp C, Tempark T.Topical Botulinum Toxin Type A Liposomal Cream for Primary Axillary Hyperhidrosis: A Double-Blind, Randomized, Split-Site, Vehicle-Controlled Study. Dermatol Surg. 2018 Apr 13.

Cervantes J, Perper M, Eber AE, Fertig RM, Tsatalis JP, Nouri K. Laser treatment of primary axillary hyperhidrosis: a review of the literature. Lasers Med Sci. 2018 Apr;33(3):675-681

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