Pensei em ser só amiga novamente. Mas, isso era tão antinatural. O natural era andar de mão dada, ficar abraçado, ter as nossas conversas transbordando de sorrisos e os olhares, de bem querer. O natural era querer ele por perto, bem perto. Quando menos esperava, nos beijamos de novo, e de novo. Era hora de contar ao Leo.

“To conhecendo uma terceira pessoa”, disse, assim, entre uma taça e uma conversa . Quase engasgando, o rosto de Leo se iluminara entre a surpresa e a alegria. Queria saber tudo: nome, nossa história, o que gosto em Rafa, se tinha transado, porque não, se gosto do beijo, se excita… Agradeci muito. Fiquei leve. Leo adora a ideia de me interessar por outras pessoas, em especial, sexualmente. Além de ter mais alguém me dando atenção e afeto, algo que ele não consegue me suprir, reconhece. Então transamos como dois confidentes e me confessou ciúmes.

Confesso, sou demandante. Quero conversar variados assuntos, conceber diferentes ideias, quero ir a exposições, ao cinema, quero transar até secar, quero ver a rua, o movimento, gente, quero festa, diferentes restaurantes, bares, degustar diferentes conceitos, quero ficar na rua até amanhecer e emendar na praia ou na transa, quero propostas inesperadas (e pode apostar, eu toparei). Pois, demando.

Cada um dos três, assim, me provêm com o que têm de melhor, sem cobranças, sem expectativas em demasia, sem estresse extras. Por minha vez, não lhes falta afeto e companheirismo e o que mais cada relação estabeleceu por si, naturalmente. Desse jeito, divido a minha demanda e expectativas em três. Fica leve para todo mundo.

Penso que pessoas se conectam, reagem e interagem de maneiras muito particulares. Cada relação é única. Sagrada. Difícil engessá-las em rótulos moldados. Logo, por que uma sociedade tem que determinar como agir e o que esperar de uma relação?