Ter relacionamento com três é (in)sanidade mental. Claro que não somos referência em equilíbrio e desapego, por vezes, desentendimentos e inesperados ocorrem, porém, fica muito mais fácil se reestabelecer quando há mais duas pessoas na sua vida. Diminui o peso. Sente-se, porém, menos.

 

Numa dessas, Rafa, viaja e se distancia. Dias em off, respostas desinteressadas, mente o horário de chegada, promete me ligar e some por uma semana. Assim, sem mensagem, sem ligação e sem resposta. Surto? Quase. Entendi? Nada. Mil possibilidades na cabeça? Com certeza, em especial ele ter voltado com a ex (e a mais possível diante de tudo). Por sorte, Leo começou a demonstrar mais afeto após saber de Rafa. Procurei ocupar toda a agenda da semana: hh, trabalho, teatro, exposições, livro novo, trabalho, cabeleireiro, amigos e choro (livre).

 

Decepcionada. Agradeci por não ter transado com Rafa. Do contrário, estaria apaixonada, fatalmente. Isso, claro, se fosse bom. Fiquei surtada. Não sei mais como o enxergo… fraco? mentiroso? manipulador? Prova de que amor próprio não é para todos. Tudo que eu mais queria era ver Daniel. Fui para o Rio. Reencontra-lo foi balsâmico! Ao nosso melhor estilo, tour pelos bares regado a uma franqueza incomum e beijos intercalados, assim ficamos até o dia clarear. Eu o coloquei a par de tudo e ele me contou que amava uma terceira mulher, história antiga na vida dele e ela voltara. Início de dia com direito a xeque-mate: por que ainda não encontramos nossa sintonia na cama? (Joey e Rachel talvez).

 

Depois de uma semana em silêncio, recebo uma mensagem satisfatória de Rafa. Recheada de vergonha, confirmando, nas entrelinhas, a minha pior hipótese. Ele estava mal, muito mal. Me tranquilizei. Ele respirava em vida, afinal. O que eu faria? Não sei. Adoro-o, porém, ele não demonstrava responsabilidade afetiva nem por ele mesmo. Não teria com outrem. Como não teve comigo.