“Dr, posso correr na rua durante a quarentena? É seguro? Não aguento só exercício em casa”

Correr na rua durante a quarentena da pandemia do Covid-19 é um ato seguro ou melhor deixar para depois? Notou como nossos hábitos foram adaptados de forma abrupta nas últimas semanas? Desde higiene, comportamento, alimentação, trabalho ou até o cerne deste artigo: atividades físicas.

O costume habitual nas grandes, médias e pequenas cidades foi a cultura da academia ou espaços dedicados a tal, seja ringues, boxes ou studios. O conceito sempre acaba por reunir muitas pessoas no mesmo espaço, somado à pessoas transpirando, ofegantes, passando a mão em rosto e mucosas. Um prato cheio para disseminação em uma pandemia, certo? Assim torna-se mais do que esperado que tais lugares mantenham-se fechados nesse momento. E as alternativas para os praticantes de atividade física? Acabam resvalando em duas: exercícios em casa e fora dela. 

Em casa muito tem sido proporcionado para manter a saúde, desde apps dedicados até lives com personal trainers ou celebridades fits. Entretanto, para os praticantes de atividade física com maior demanda energética como bike ou corrida a prática indoor muitas vezes não é o suficiente.

E o que os médicos dizem? Pode correr na rua durante a pandemia? O governo brasileira afirma, sem especificar, que é para sair de casa apenas em casos de extrema necessidade. A classe médica se divide quanto ao quesito sair de casa para ir ao ar livre fazer atividade física. O fato é que, dentre os médicos, é consenso que atividades de cunho cardiovascular promove uma melhora de imunidade e (segundo alguns estudos) redução no período infecção quando executados exercícios não extenuantes. 

 

/ Turma do “Faça exercício em casa”

Os que rejeitam a proposta de exercícios ao ar livre, referem a possibilidade de aglomerações e contaminações de lugares, objetos e outras pessoas com a prática. Além disso, os defensores do “fique em casa” referem que em períodos curtos, em associação com cuidados com a alimentação e saúde mental, a manutenção dentro de casa com exercícios específicos  são suficientes para manter e promove a imunidade elevada.

/ Time do: “Corra, mas tome alguns cuidados”

Os que defendem correr na rua durante a pandemia levantam a bandeira não apenas da melhora da imunidade, mas a manutenção e controle fortemente da saúde mental (sair de casa, contato com natureza) assim como das outras doenças crônicas (como diabetes, pressão alta e obesidade).

A Alemanha, por exemplo, assim como alguns países europeus NUNCA proibiu caminhar ou se exercitar ao ar livre. Incentivaram o ato desde que sozinho, ou com pessoas que morem na mesma casa ou então com apenas uma pessoa que não viva com você. Em conversa com conhecidos que moram na Alemanha eles confirmam: “pessoas praticam atividades físicas ao ar livre, mas com enorme distância entre elas”. Mas será que o Brasil tem parques e áreas verdes e “seguras” o  suficiente?


Um polêmico e viral “estudo” belga usou a engenharia da aerodinâmica para estudar como seria uma possível transmissão do vírus via aerossóis. Os autores da simulação estão sendo arduamente criticados por não serem virologistas e publicarem um resultado parcial. Em resposta, eles dizem que não dá para esperar o resultado final enquanto o vírus agressivo corre pelas ruas. De qualquer forma vale a leitura do artigo.. A orientação, resumidamente, é para continuar se exercitando mas “fora das correntes”.

As orientações dos estudiosos é que os corredores/ciclistas devem:

  • Evite correr entre pedestres – vá o mais longe possível quando for cruzar com algum na calçada;
  • Ao caminhar, mantenha uma distância segura de 2 metros de outras pessoas;
  • Para corredor e ciclistas em baixa velocidade o ideal é manter distância de 10 metros de pessoas que se movem na mesma direção;
  • Se for correr na rua com alguém de casa, corra AO LADO DA PESSOA e não um atrás do outro;
  • Use máscara “leve” durante a corrida. NÃO precisa ser a N95;
  • Evite locais com aglomerações. Pesquise por lugares mais isolados;
  • Evite correr em lugares com muita poluição ou em horário de pico de carros;

 

Simulações do estudo belga mostram que a maneira mais segura é correr ao lado de outra pessoa e em direção oposta aos pedestres ou outros corredores.

Independente de interpretações, a realidade nos pede bom senso. É importante dosar o custo benefício de expor-se a prática ao ar livre, mesmo mantendo o distanciamento recomendado e as práticas de higiene. Lembro que todos os cuidados podem ser corrompidos por fatores de imprevisibilidade (um acidente, uma torção, uma trombada com outro). Detalhes que não calculamos e podem acabar nos contaminando. Numa metrópole esses fatores imprevisíveis certamente são maiores que em cidades pequenas, mas lembre-se, basta apenas um único fator para desbalancear tudo.

Por mais cuidado que possamos contar com nosso planejamento, cuidado e juventude, devemos ter cuidado e honra pela saúde dos outros nesse período. Portanto meu distinto leitor, não estou aqui pra lhe privar ou conceder, estou aqui apenas para apelar ao seu bom senso, através da ciência, ética e imprevisibilidade. Ao máximo exercite-se!  A atividade física é um importante pilar para manutenção da saúde, como já comprovado inúmeras vezes pela LifeStyle Medicine. em casa. Na ausência de fatores de risco ou já imunidade ao Covid-19, exercite-se ao ar livre mas com todos os cuidados necessários e atenção redobrada as imprevisibilidades de estar externo. Alguma dúvida restante? Procure o seu médico e converse com ele. Use e aproveite a Telemedicina, meu caro.

Cuide-se! Estamos juntos nessa.


Estudo Referência: Towards aerodynamically equivalent COVID19 1.5 m
social distancing for walking and running