Rafa entrou no modo namorado, automaticamente. Isso me assustou, um pouco. Dava satisfação, falava em viagem e em apresentar para a família. Tudo à jato! Rafa é uma dessas pessoas intensas, ansiosas, com um potencial de ação incrível e muito inteligente. Além de me tratar muito bem. Gosto do conjunto, me atrai. Problema? Pode ser.

Numa quinta, ele me ligou de manhã, em desespero: havia falado com a ex. Fiquei calma, escutei, apoiei. Fui ficando mal, logo em seguida. Eu tinha de vê-lo! Rafa também queria. Nos encontramos no início da noite, me disse que havia ido até a casa dela de manhã: eu queria enforca-lo!

Eles tiveram um relacionamento tóxico por quase dois anos. Eu já sabia de Suellen. Sabia que Rafa ainda estava vulnerável e que ela o procuraria, cedo ou tarde. Torci para que fosse tarde. Não foi. Tive raiva da reação dele! Raiva da ingenuidade dele, da fraqueza dele, do quanto ela ainda o tinha nas mãos e de como usava disso. Mas, antes de tudo, eu lhe queria bem. Muito bem.

Escutei histórias deles, abracei, consolei, briguei e achei bem feito ele ter dado de cara na porta. Uma tristeza tomou conta de nós. Pedi para me deixar em casa. Silêncio mortal no carro, no trajeto mais longo possível. Subiu um muro entre nós. Não nos olhávamos, conversávamos ou nos tocávamos. Ele não sabia o que fazer para se reaproximar e eu não podia rechaça-lo agora. Embora fosse meu instinto.

Já na frente de casa, perguntei se queria subir. Parecia daqueles momentos cruciais, capazes de influenciar o rumo de nós. Além do mais, sai de casa com essa intenção: queria que dormisse comigo, não podia deixa-lo sozinho nessa noite, lhe queria bem acima de tudo. Convite mais que aceito! Mudança instantânea de humor. Rafa chegou querendo ficar. Nos tranquilizamos em meio a conversa. Dormimos, sem beijos e com carinhos. Foi suficiente para amanhecer um outro dia.

O relacionamento é aberto, porém, ter uma recaída com essa ex era depreciante demais. Não daria para mim, assim.